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Muito mais que um manifesto!

Muito mais que um manifesto, uma quebra de paradigmas...

Há 4 anos, eu era outra pessoa, uma covarde, omissa, que esperava que os outros lutassem minha guerra e depois colocasse em minhas mãos o resultado da vitória.

Eu dizia: "Isso nunca vai me afetar, nunca chegará até mim."

Então, entrei na arca e fechei as portas, esqueci apenas de um detalhe, um dia eu precisaria abrir as portas da arca, e o que encontraria lá fora?!

No entanto, minha covardia era motivo de grande angústia, eu sabia que um dia a conta chegaria e que eu precisava mudar e ser corajosa para me posicionar frente ao que acredito.

Comecei a orar, perigosamente...

"Senhor não me deixe morrer como uma covarde e negar ao Senhor. Abre os meus olhos como tu abristes de Saulo, ele conhecia a tua palavra, mas não te conhecia, revela-te a mim como revelastes a ele...

E as coisas começaram a vir como uma enxurrada.

Posicionar-me hoje politicamente é um avanço na minha história, é a compreensão de que política, religião e educação não só se discutem como se FUNDEM e nos afetam a ponto de nos engolir.

Lutar pela nossa liberdade de crer, expressar, adorar, escolher é dizer pra mim mesma: amo mais ao Senhor do que a minha auto imagem e do que vão pensar de mim. É destruir um obstáculo!

Pisar no chão de Brasília é dizer pra mim: onde pisar a planta dos meus pés ali será meu por herança. É dizer aos meus filhos que lutamos com armas de fé enquanto adorávamos, mas não apenas fechados em casa, na igreja, mas no campo de batalha.

Houve um misto de tantos sentimentos.

A sensação de pisar no chão de Brasília, mesmo sem saber se teremos resultados favoráveis e / ou esperados por nós patriotas, é como ir à guerra e ter a certeza de ter feito tudo que estava ao meu alcance por meu país.

Uma sensação de pertencer a um só povo, a uma nação verde e amarela, e sem limites territoriais internos. Não havia ali estados ou cidades, havia um povo!

O amor transbordava pelo chão do quartel, a gente passeava pelas tendas e acampamentos dos outros estados, e sempre sentia o acolhimento, a generosidade através de um copo d'água, um prato de comida, um pedaço de lona pra cobrir a barraca que estava sendo alagada pela chuva. Muitas pessoas orando e cantando juntas, orando o Pai Nosso e entoando o hino nacional com a alma.

Quando fomos à Esplanada e nos unimos com o propósito de dizer " não" ao abuso, à imposição e opressão das autoridades impostas sobre nós, de um governo que ainda nem assumiu...fomos caminhando por 6 km até o Palácio da Alvorada, todos juntos, passando pela avenida e pelo mato, jovens, crianças e muitos velhos, que poderiam estar sentados no sofá vendo jornal...

Esse povo atravessava não só a cidade, mas atravessava o nosso país com essa marcha.

Chegamos ao Palácio da Alvorada para ouvir:

"Boa noite!"

Mas essa boa noite foi a melhor boa noite e a mais emocionante que já ouvimos....

Era do nosso presidente, aquele que elegemos nas urnas e no coração.

Roubaram as urnas! Mas no coração, nunca!

Um homem que chamou Deus para lhe guiar nos atrai como seu povo.

Enquanto ele buscar a Deus, estaremos com ele .

Um homem que acendeu em nós a chama verde e amarela!

Que trouxe o desejo de permanecer no país, pois este é o mais lindo de todos.

No outro dia, estávamos lá, no sol e na chuva, à espera de uma resposta, um sinal, um código. 

Estávamos sem estrutura, sem água, comida e banheiro.

Uma fila imensa para ser revistado.

O povo era revistado numa alegria anormal.

As pessoas cantavam, oravam e riam ao abrir suas mochilas...

Chegamos no gramado!

Que alegria.

As crianças, os velhos, todos na expectativa...

Veio a sede, a fome, o desejo de ir ao banheiro...

E o povo não recuou.

O sol queimava...algumas ao meu lado passaram mal, mas não recuaram.

De repente, água, banheiro e as marmitas foram chegando...

As cozinheiras servem com propósito, nos quartéis, para alimentar a multidão.

Nunca comi um prato de comida com tanta gratidão!

Quando a gente ia desistir, uma porta se abriu, e uma bandeira lá longe começou a flamular!

A cena mais linda, nossa bandeira balançando ao vento.

Era o nosso presidente!

Os carros pretos e de segurança de todos os lados surgiam.

A marcha do Bolsonaro até nós, parecia quilométrica.

Ele chegou vestido de branco.

Saiu de um lado ao outro, com um semblante triste, olhando em cada olho, ele não olhava pra multidão.

Olhava para os indivíduos.

E, então, oramos juntos!

Impossível não se emocionar.

As crianças começaram a saltar na água, uma a uma, até virar uma centena delas.

Lindo ver ele rodeado e amado.

Fui embora com o coração cheio de gratidão e esperança.

Sensação de dever cumprido. Quando chegamos ao quartel, tivemos a notícia: o índio Tsererê havia sido preso. E o alvoroço começou. Como iríamos ajudar!? O que poderia fazer por aquele homem!?

Fizemos um círculo e oramos por ele.

E foi necessário deixar Brasília, pois nossa volta pra casa já estava marcada.

Fui pra casa aflita por deixar aquilo tudo pra trás, mas precisava voltar pra casa.

No ônibus, oramos, cantamos, lemos a bíblia...

Chegamos em nossa terra, e a resistência civil permanece no quartel local até o dia de hoje.



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