Então vamos filosofar....
"Os egípcios, povos politeístas, acreditavam na vida eterna após a morte, em que o espírito do falecido voltava para tomar seu corpo. Para abrigar o cadáver, construíram as pirâmides. E para preservar o corpo (enquanto o espírito não retornava) inventaram a mumificação.
Em consequência deste processo, os egípcios iniciaram os estudos da anatomia e descobriram várias substâncias químicas, na busca de substâncias para a preservação do corpo.
Primeiramente, todas as vísceras do cadáver eram retiradas. Um corte era feito na altura do abdômen, de onde era retirado o coração, o fígado, o intestino, os rins, o estômago, a bexiga, o baço, etc. O coração era colocado em um recipiente à parte. O cérebro também era retirado. Aplicavam uma espécie de ácido (via nasal) que o derretia, facilitando sua extração.
Em seguida, deixavam o corpo repousando em um vasilhame com água e sal (para desidratá-lo e matar as bactérias) durante setenta dias. Desidratado, o corpo era preenchido com serragem, ervas aromáticas (para evitar sua deterioração) e alguns textos sagrados.
Depois de todas essas etapas, o corpo estava pronto para ser enfaixado. Ataduras de linho branco eram passadas ao redor do corpo, seguidas de uma cola especial. Após esse processo, o corpo era colocado em um sarcófago (espécie de caixão) e abrigado dentro de pirâmides (faraó) ou sepultado em mastabas, uma espécie de túmulo (nobres e sacerdotes)."
Vamos às analogias...
Quando meu pai morreu, minha mãe ficou viúva.
É normal e natural ouvirmos e dizermos: " Mãe, você não pode se casar de novo, estaria abandonando meu pai…"
Meu pai morreu. Minha mãe não.
Meu pai está livre de sentimentos e emoções, minha mãe não.
Meu pai não pode perceber o silêncio e a solidão, minha mãe sim.
Meu pai não sente frio nos pés e nem vê o quarto vazio de noite, minha mãe sim.
Quando as luzes se vão, quando as portas se fecham e as janelas se encerram
Quem estará com ela pra lhe fazer companhia, esquentar os seus pés
Lhe olhar na cama e dar um bom dia?
Quem lhe dirá o quanto naquela roupa vermelha ela fica linda
que quando ela viaja e depois de muitos dias, diz: "meu amor seja bem vindo???"
Porque eu quero mumificar e empalhar o que está vivo??
Arrancar os seus órgãos quem ainda batem,
com as palavras egoístas que eu digo
Retirar o seu cérebro, limitar suas emoções
Colocar em um recipiente todas as suas paixões?
Repousar o corpo na água e no sal
O morto ou vivo
A quem eu quero conservar afinal?
Preciso pensar...
Estou fazendo um bem ou um mal?
Além de passar pela dor do luto
querem o enterrar, com sua alma e tudo
Porque enfaixar os olhos de quem ainda pode ver?
podem brilhar, podem emocionar, podem cativar
Porque enfaixar a boca de alguém que ainda pode dizer?
Pode beijar, pode sorrir e gargalhar
Porque enfaixar o coração que ainda pode bater?
Pode sentir, pode palpitar, pode amar
Porque enfaixar as mãos que ainda podem tecer?
Podem tocar, podem acariciar, podem abraçar...
Se você tem medo de alguém um dia te esquecer, não tenha medo do amanhã
viva o hoje, cada segundo faça valer!
Você está com medo de alguém te esquecer
E diz que se compadeceu
O medo de ser esquecido, não é do morto
Provavelmente é o seu
Aqueles que morreram, ninguém vai esquecer
As lembranças estarão guardadas
de um amor que se viveu,
Quem não tem lembrança, nem sentimento é quem já morreu
E quem está sozinho, não é você e nem eu
Não leve ao túmulo suas flores
Não tenha pena dos mortos
Não ponha nos vivos suas dores
Tire as faixas, deixe-os viver
Deixe o coração que está vivo palpitar
Os lábios que não adormeceram de novo beijar
Os pulmões que ainda funcionam, um novo ar respirar
Se você não pode a necessidade do outro suprir
Porque quer matá-lo, impedi-lo de sorrir?
Morrer em vida é ficar viúvo (a) e não poder amar
Porque os outros julgam minha necessidade de novo abraçar
Será que não tenho direito, de novo experimentar?
Precisamos fazer por aqueles que estão vivos
Deixar eles viverem livres
E não como escravos, cativos....
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