Saí para caminhar pela futura praça da minha quadra na companhia de minha vizinha Ana.
Durante nossa caminhada conversávamos sobre a busca pela perfeição.
Paramos e entramos na casa dela, como uma boa anfitriã ela estendeu uma colcha de retalhos no chão pra gente tomar café.

Ana saiu e foi buscar água pra mim e eu como uma boa filha e nora de costureira não reparei na colcha, mas nos detalhes da costura.
As linhas estavam tão tortas e se entrelaçando fazendo um verdadeira zig-zag na barra da colcha, onde era pra ser uma costura reta. Só foquei na Imperfeição daquilo. Os retalhos que compunham a colcha, eram de materiais diferentes, uns de poliéster e outros de algodão, um repuxava o outro deixando um grande "balão" no meio.
E enquanto Ana não vinha comecei a pensar....que perdi a oportunidade de apreciar o belo da colcha de retalhos por conta da busca pela perfeição, não me atentei ao colorido, à estampa, somente àquilo que menos importava, a costura.
Então refleti, que a colcha não deixou de ser colcha porque ela estava imperfeita e cheia de zig-zags e panos fofos, ela não deixou de ser útil pra nós nos assentarmos pra tomar nosso café, ela não deixou de impor seu colorido....toda sua imperfeição não tirou sua beleza e utilidade.
A vida é como uma colcha de retalhos, cheias de costuras tortas, "panos de poliéster e de algodão misturados" e não podemos perder a chance de apreciar o belo por causa dessas coisas.
Depois de falarmos sobre os defeitos do pano, Ana me mostrou sua planta, uma planta que ela achava muito feia, porque ela crescia diferente da outra, de forma desordenada.

E então, ela me disse: - Aprendi a amar essa planta, que cresceu mais do que a outra e de forma bagunçada, porque apesar da forma como ela cresce ela continua a florescer e embeleza meu jardim.
E é assim que Deus nos vê, não espera de nós perfeição, mas um coração disposto a crescer e florescer.
Aprendi nesse dia uma grande lição!
Percebi que estava buscando ser uma mãe, uma esposa, uma serva, um ser perfeito e que toda essa busca desesperadora era em vão porque eu nunca iria alcançar essa perfeição, a única coisa que eu alcançava era uma imensa frustração.
E isso gera no meu comportamento muita rigidez, muita exigência comigo e com os outros.
No fim desta manhã, concluo que quero apenas ser uma colcha de retalho e que com minhas costuras desalinhadas eu possa ter com um lindo colorido e ser útil pra tomar um café na companhia das pessoas, exalando Cristo em cada detalhe.



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