“Se há alguém indiferente à beleza, sem dúvida, é porque não a percebe”. Roger Scruton
Esse era o meu estado, a não percepção da beleza. Nem ao menos sabia o
seu significado. Resumia tal palavra a um ser bem vestido, bem penteado ou
bem maquiado. _____________________________________
Para alguns representa uma nova decoração, uma tinta nova na parede,
móveis novos, nada de significativo.
Para minha família e para mim, representa uma metanóia, mudança de
pensamentos e de visão.
Por 37 anos enxerguei o mundo por lentes embaçadas, sujas, cheias de
manchas, com o grau desajustado.
Lâmpadas penduradas por fios emendados com fitas isolantes, tudo
aparente, excesso de desorganização e de coisas, coisas essas que não
acrescentavam apenas entulhavam. Nenhum quadro, nenhum arranjo, nada
de jarros ou flores. A casa era funcional e feia.
Havia um pavoroso lençol florido sobre o antigo sofá de suede. O sofá não
permaneceu por muito tempo e logo na sala havia redes penduradas, o
aspecto era de um verdadeiro “cortiço”.
O quarto era tumultuado na aparência, todos da casa dormindo juntos,
lençóis de todas as cores e estampas variadas com fronhas de todo jeito, uma
lâmpada pendurada e um buraco no teto. Desordem, porém funcional.
A convivência era harmoniosa, parecia um ninho, mas o ambiente escasso de
qualquer beleza ou organização, e não era por falta de fazer, era por falta da
visão correta.
Eu nunca soube apreciar arte, nunca houve espaço para eles em minha vida.
Pra mim era algo inútil.
Até que em Março de 2020 iniciei minha jornada de leituras, autoeducação e
descobertas. Meus olhos se abriram para muitas coisas.
Sentia Deus me guiando no deserto como uma coluna de fogo iluminando
meu caminho de trevas em minha ignorância.
Eu fui me descobrindo até que próximo ao meu aniversário de 38 anos
comecei a assistir SIMEDUC TALKS (maratona), um divisor de águas em minha
vida.
Muitos temas foram abordados.
Mas um deles me deixou profundamente marcada. Desestabilizada. Confusa.
Inquieta. Confrontada.
O assunto foi tão complexo que não fui capaz de digeri-lo.
Raquel Brito falava naquele dia sobre beleza, sem ela não há educação.
Passados alguns dias essa palavra ecoava em minha alma obscurecida.
Comecei a orar e pedi a Deus que me mostrasse o que era a tal “beleza”, a
parte de minha educação que havia deixado uma lacuna.
Fui à casa de uma professora de artes de minha cidade e dentro de sua
biblioteca particular, disse a ela:
- Explique-me o que é beleza.
- Leia este livro (A arte não precisa de justificativa), disse ela.
Eu estava de viagem marcada. Li o livro dentro do avião em duas horas.
Recostei minha cabeça na janela do avião e em meios a tantos passageiros,
eu só chorava e pedia perdão a Deus por tamanha ignorância, por minha
cegueira de anos.
O livro descortina pra mim de forma compreensível, à minha rasa mentalidade
que Beleza = Bondade + verdade pautadas no absoluto de Deus.
O livro destrincha o assunto. Minhas lentes embaçadas e desfocadas, sujas e
manchadas, começam a ser ajustadas.
Ali, ainda, dentro do avião, observei o céu tão azul, com nuvens tão diferentes
umas das outras, cada uma com seu formato, embelezado aquela imensidão.
Daquele dia em dia, comecei a perceber um DEUS de ordem, de organização,
de detalhes, de pura inspiração.
À sua criação exibe Seu bom gosto, sensibilidade, a importância que Ele dá
ao tema beleza.
As flores, cada uma com seu perfume com sua paleta de cores, tantos tons,
tantas espécies...
A vegetação, formando um composê perfeito composto por tons verdes.
Todo o universo expressa o caráter grandioso, fabuloso e detalhista de Deus.
Passei a contemplar tudo sob uma nova óptica.
Naquele momento, as lâmpadas com fios expostos emendados, furos no teto,
a desordem da casa já não cabiam em meu coração.
A desordem e o caos estavam dando lugar ao belo (não apenas aparência).
Eu buscava além de um templo interno onde Deus habitava, que minha casa
física, meu lar revelasse ordem, verdade, bondade, a beleza de Deus.
A feiura, no meu caso, não tinha a ver com recurso financeiro, mas com
minha visão extremamente limitada, com minha cosmovisão.
Porque bagunça, desordem, caos não condizem com um Deus perfeito criador
tão detalhista, cheio de beleza.
Então, termino meu testemunho dizendo: as lâmpadas penduradas com fios
expostos deram lugar a belas e simples luminárias, o teto esburacado deu
lugar a uma superfície homogênea, limpa e clara; as paredes sem vida e suja
deram lugar a novas cores vivas; a rede na sala deu lugar um bonito sofá
clássico; a mesa feia e que ocupava muito espaço deu lugar a uma nova,
redonda e aconchegante. Os quartos agora abrigam cada um no seu lugar!
Nas paredes há diferentes quadros revelando sempre uma bela arte e uma
mensagem pintada!
E eu permaneço caminhando rumo a novas descobertas, prosseguindo em
conhecê-LO.
Obrigada SIMEDUC e Raquel Brito.
Com carinho, Ricelly Catalunha
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