Eu tinha 18 anos. Estava cuidando do depósito de materiais de construção do meu pai, ele havia viajado e me deixado com a responsabilidade de cuidar de tudo em sua ausência. Eu era especialista em vender cimento, tijolo e areia. Estava por dentro dos materiais usados em uma construção.
Era uma sexta-feira à tarde. Minha vizinha vai até o comércio onde eu estava e me convida: - Vamos fazer o vestibular da UNITINS (hoje UFT) em Palmas?
Eu respondi: -onde fica isso?
Ela disse:- Em Palmas, a nova capital do Tocantins.
Eu lembro de ver os anúncios na TV, sobre a nova capital. O Estado da livre iniciativa- era o slogan.
Bem, eu não podia me ausentar do comércio pois estava substituindo meu pai. Para fazer a inscrição eu precisava viajar até uma cidade vizinha, tomar um barco e atravessar o rio…era uma leve jornada, mas era uma…
Eu respondi a ela:-Se for da vontade de Deus que eu faça esse vestibular (e não estava nos meus planos), Ele fará essa inscrição prorrogar até semana que vem e então farei!
No final do dia, o anúncio: INSCRIÇÕES PRORROGADA ATÉ QUARTA-FEIRA da semana seguinte!
Aleluia.
Viajei até Tocantinópolis e ao chegar lá eu nem sabia o que eu queria fazer. Olhei na lista de cursos, liguei pra minha mãe, de um orelhão e disse:- Mãe, tem três cursos aqui: Engenharia de alimentos, ambiental e veterinária. Qual eu faço?
Ela respondeu: Faz engenharia de alimentos!
Eu fiz!
Eu nunca sonhei com a engenharia.
Voltei pra casa e dias depois fui fazer a prova do vestibular.
Eu fiz uma oração: - Senhor gostaria de dar esse orgulho pra minha mãe, eu gostaria de passar. Eu não PRECISO IR, apenas passar.
Quando o resultado saiu, a mesma vizinha foi me avisar que eu havia passado.
Passei!
E fiz outra oração: -Senhor eu disse que não queria ir, mas mudei de ideia, agora eu quero ir! Se for da Tua vontade amolece o coração do meu pai e me deixe ir…kkkk
E agora como contar ao meu pai que a caçula dele havia passado e precisava mudar de cidade?
-Pai, passei no vestibular, laaaaa em Palmas, tipo tenho que morar em outra cidade….
Meu pai disse, surpreendentemente: - vá na benção!
Eu nem acreditei.
Arrumei as malas e fui!
Quando cheguei em Palmas, meu tio foi me buscar na rodoviária (capenga). Ele estava dirigindo um caminhão de lixo, que não cabia eu e minha mala. E o cheiro de lixo, pouco importava, diante daquela cena inigualável das palmeiras da avenida Teotônio Segurado, um sol lindo, uma avenida larga, ventos fortes de julho e um coração agradecido.
Cheguei na casa do meu tio, não havia espaço para me abrigar, mas ele fez ter. A cozinha de dia era cozinha de noite era meu quarto. Eu dormia em um tapete, pois eu não tinha colchão e nem podia comprar um logo. Os pernilongos me acordavam de manhã e me levavam pra porta, eram tantos que eu nem precisava andar.
Mas o coração estava grato.
Comecei a fazer faculdade.Eu pegava 6 ônibus por dia e sobrevivia com 20 reais semanais, que minha mãe mandava.
Com esses 20 reais eu comprava passe para o ônibus, tiara xerox, comia e ainda era feliz!
Eu não fui pra UFT pra ser Engenheira certamente, como não sou até hoje.
Eu fui por um propósito muito maior. Servir a Deus junto com meus 12 amigos.
Na história do paralítico e os 4 amigos relatada na Bíblia, um homem alcança a cura por causa da amizade. Assim éramos nós. Os doze amigos.
Eu disse para Deus: - Quero te conhecer Senhor, quero andar contigo e fazer dos meus dias nesse lugar, um grande serviço.
E assim foram, Deus me deu os melhores amigos. A gente virava noites em vigílias, orando, cantando, rindo a toa, nos ajudando. Às vezes faltava suprimentos na casa de um, porque éramos estudantes sem famílias, e uns ajudavam os outros.
E nesse tempo trouxemos para Palmas o movimento estudantil Alfa e Ômega, movimento de evangelismo nas universidades. Foi um tempo incrível nas nossas vidas, experimentamos tanto o Senhor, muitas pessoas depressivas tiveram a oportunidade de conhecer Cristo e mudar suas histórias.
Passei 6 anos na UFT, na companhia dos meus melhores amigos. Os tijolos que eu vendia na infância, não se comparava à Rocha que eu havia achado na minha jornada. CRISTO! A rocha inabalável me sustentou nesses anos.
Tem muitas histórias ainda para ser escrita.
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